Economia

  • ENSA quer travar saída de prémios de seguros de África e reforçar capacidade das seguradoras locais

    A ENSA – Seguros de Angola vai defender, durante a Africa Financial Summit (AFIS), que decorre nos dias 3 e 4 de Novembro, em Luanda, o reforço da capacidade financeira e técnica das seguradoras africanas, de modo a reduzir a dependência de operadores estrangeiros na cobertura de grandes riscos.

    A proposta será apresentada pelo presidente da Comissão Executiva da ENSA, Mário Mota Lemos, num painel dedicado à fuga de prémios de seguros de Angola e aos desafios enfrentados pelas seguradoras e resseguradoras africanas para assumirem riscos de grande dimensão e elevada complexidade.

    Segundo um comunicado da companhia, divulgado esta segunda-feira, 2 de Novembro, a estratégia passa por criar condições para que uma parcela maior dos prémios associados a grandes projectos económicos permaneça no continente, em vez de ser transferida para mercados internacionais de resseguros.

    A seguradora considera que a insuficiência de capital e de competências técnicas especializadas continua a limitar a capacidade das empresas africanas para assegurar operações em sectores estratégicos, como petróleo e gás, aviação e mineração.

    Grandes riscos continuam dependentes do exterior

    De acordo com a ENSA, a reduzida capacidade financeira e técnica de algumas seguradoras e resseguradoras africanas faz com que determinados riscos sejam cobertos directamente por operadores estrangeiros ou através de apólices emitidas localmente, mas cujos riscos são integralmente transferidos para resseguradoras internacionais.

    Esta situação limita a retenção de prémios no mercado africano e evidencia a necessidade de fortalecer as instituições seguradoras do continente.

    Durante o debate, Mário Mota Lemos deverá apresentar propostas estratégicas destinadas a aumentar a capacidade das seguradoras africanas para assumir riscos especializados, contribuindo para o desenvolvimento de um mercado de resseguros mais robusto.

    O painel contará igualmente com representantes do sector financeiro e segurador de países como África do Sul, Marrocos e Zimbabué.

    Seguradoras chamadas a financiar infra-estruturas

    A participação da ENSA na cimeira incluirá também a presidente do Conselho de Administração, Helena Francisco Chituba, que integrará um painel sobre o papel das seguradoras no financiamento de infra-estruturas.

    A discussão terá como ponto central a possibilidade de as companhias de seguros participarem em modelos de financiamento misto, para além da dotação de 1% destinada a infra-estruturas, conforme o tema anunciado pela organização.

    O debate deverá explorar alternativas para ampliar a participação do sector segurador no financiamento de projectos estruturantes para o desenvolvimento económico africano.

    Luanda acolhe cimeira financeira africana

    A Africa Financial Summit realiza-se, pela primeira vez, em Angola, na região da África Austral e num país de língua oficial portuguesa.

    O encontro reúne responsáveis e especialistas do sector financeiro para discutir desafios e oportunidades de desenvolvimento dos mercados africanos.

    Com a participação dos seus dois principais responsáveis, a ENSA pretende reforçar a sua presença nos debates sobre o futuro da indústria seguradora, particularmente no que respeita à retenção de riscos, ao desenvolvimento do resseguro africano e à mobilização de recursos financeiros para investimentos no continente.

    Fundada em Fevereiro de 1978, a ENSA é uma das mais antigas companhias de seguros de Angola, tendo acompanhado a evolução do mercado nacional desde os primeiros anos após a independência.

Sociedade

  • Angola aposta no novo mandato de Lula para reforçar cooperação económica com o Brasil

    A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência do Brasil abre perspectivas de continuidade e aprofundamento das relações económicas entre Angola e o gigante sul-americano. O Presidente angolano, João Lourenço, manifestou a expectativa de que o novo mandato permita concretizar os compromissos assumidos pelos dois países no âmbito da cooperação bilateral.

    Numa mensagem de felicitações enviada a 26 de Outubro, na sequência das eleições brasileiras realizadas no dia anterior, João Lourenço destacou a importância da continuidade das políticas de cooperação entre Luanda e Brasília, particularmente no fortalecimento das respectivas economias.

    O Chefe de Estado angolano manifestou confiança na concretização dos objectivos já estabelecidos entre os dois países, considerando que a parceria deverá contribuir para criar condições de prosperidade e progresso para os respectivos povos.

    Na mensagem, João Lourenço considerou ainda que a vitória de Lula representa a vontade democraticamente expressa pelo eleitorado brasileiro e a opção pela continuidade de políticas orientadas para os interesses nacionais e para a preservação do papel do Brasil no contexto internacional.

    Lula conquista novo mandato

    Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo, 25 de Outubro, após vencer a segunda volta das eleições presidenciais brasileiras com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

    O novo mandato, com início previsto para Janeiro de 2027, representa uma oportunidade para dar continuidade à agenda bilateral entre Angola e Brasil, cuja concretização foi reafirmada pelo Presidente angolano na mensagem dirigida ao homólogo brasileiro.

Opinião