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Economia
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João Lourenço convida empresários sérvios a investir em Angola e defende reforço da cooperação económica
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, apelou esta segunda-feira aos empresários e investidores sérvios para explorarem as oportunidades de negócio existentes em Angola, destacando o potencial económico do país e o compromisso do Executivo angolano com a criação de um ambiente favorável ao investimento privado.
A declaração foi feita durante a Mesa Redonda com a Classe Empresarial, realizada no âmbito da visita oficial que o Chefe de Estado angolano efectua à República da Sérvia. No encontro, que reuniu empresários dos dois países, João Lourenço defendeu a abertura de um novo capítulo nas relações bilaterais, assente no aprofundamento da cooperação económica e empresarial.
O Presidente recordou os laços históricos que unem Angola e a Sérvia, sublinhando a solidariedade prestada pelos povos da antiga Jugoslávia durante a luta pela Independência Nacional de Angola. Segundo o estadista, essa relação histórica constitui uma base sólida para o fortalecimento das parcerias económicas e comerciais entre os dois países.
Durante a sua intervenção, João Lourenço apresentou Angola como uma nação jovem, dotada de abundantes recursos naturais, vastas terras aráveis e elevado potencial turístico e económico. Destacou igualmente as reformas em curso para diversificar a economia, fortalecer o sector privado e promover a geração de emprego e inovação.
O Chefe de Estado apontou vários sectores estratégicos para o investimento sérvio, entre os quais a agricultura, a pecuária, a indústria farmacêutica, a indústria automóvel, o turismo e a economia digital. Referiu ainda que Angola está a implementar um vasto programa de investimentos públicos em infra-estruturas de transporte, energia, telecomunicações e abastecimento de água, criando condições para acelerar o crescimento económico e atrair novos parceiros internacionais.
João Lourenço destacou também o papel do Corredor do Lobito como uma das principais plataformas logísticas do continente africano, ligando o Oceano Atlântico ao interior da África Austral e Central, e criando novas oportunidades para o comércio, a industrialização e a integração económica regional.
No plano internacional, o Presidente angolano reafirmou a defesa da paz, do diálogo e do multilateralismo, alertando para os impactos dos conflitos armados na economia global. Apesar das actuais tensões geopolíticas, considerou que África, e particularmente Angola, se afirmam como destinos seguros para o investimento privado, capazes de contribuir para a segurança alimentar e energética mundial.
A encerrar a sua intervenção, João Lourenço lançou um convite directo à comunidade empresarial sérvia para participar activamente no processo de transformação económica em curso no país.“Venham investir em Angola, em todos os domínios do vosso interesse”, apelou o Presidente da República, reiterando a disponibilidade do Governo angolano para estabelecer parcerias mutuamente vantajosas e sustentáveis.
Sociedade
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Indignação cresce após anúncio de 17 milhões de euros para infra-estruturas desportivas
O anúncio do Governo angolano de um investimento de cerca de 17 milhões de euros para a construção de uma piscina olímpica em Luanda e seis pavilhões polidesportivos tem gerado forte contestação entre cidadãos, activistas sociais e sectores da oposição, que consideram a medida desconectada das dificuldades enfrentadas diariamente pela população.
Nas redes sociais, programas de rádio e espaços de debate público, muitos angolanos questionam a prioridade atribuída ao projecto numa altura em que milhares de famílias enfrentam dificuldades para garantir alimentação básica, enquanto hospitais públicos continuam a registar falta de medicamentos, equipamentos e condições adequadas de atendimento.
A polémica surgiu após a divulgação de que a maior parcela do financiamento, cerca de 12,9 milhões de euros, será destinada à construção de uma piscina olímpica na capital, ficando o restante valor distribuído por seis pavilhões polidesportivos em diferentes municípios.
“Não somos contra o desporto, mas o país tem urgências maiores”, escreveu um utilizador nas redes sociais. Comentários semelhantes multiplicaram-se, defendendo que os recursos públicos deveriam ser canalizados prioritariamente para os sectores da saúde, educação e combate à pobreza.
As críticas ganham força num contexto em que diversos relatórios e levantamentos apontam para dificuldades persistentes no sistema nacional de saúde. Dados divulgados pelo Afrobarometer em 2025 indicam que mais de dois terços dos angolanos avaliam negativamente o desempenho do Governo na melhoria dos serviços básicos de saúde.
Também têm sido frequentes as denúncias sobre escassez de medicamentos em hospitais públicos. Pacientes e familiares relatam dificuldades no acesso a tratamentos e medicamentos essenciais, situação que organizações da sociedade civil e profissionais de saúde consideram preocupante.
Além da saúde, a situação social do país continua a alimentar o debate sobre as prioridades do investimento público. Sectores da oposição têm apontado elevados níveis de pobreza, desemprego e insegurança alimentar como desafios que exigem respostas urgentes do Executivo.
Por outro lado, defensores do projecto argumentam que o investimento em infra-estruturas desportivas pode contribuir para a inclusão social da juventude, incentivar a prática desportiva e criar oportunidades para o desenvolvimento de atletas nacionais.
Ainda assim, para muitos cidadãos, a decisão simboliza um problema mais profundo: a percepção de que as prioridades do Estado nem sempre correspondem às necessidades mais imediatas da população.
“O povo precisa primeiro de hospitais com medicamentos, escolas equipadas e comida na mesa. Depois podemos falar de piscinas olímpicas”, afirmou um morador de Luanda durante um debate comunitário sobre o tema.
Opinião
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